Alerta de Vagas

Dicas para desenvolver competências

O Brasil tem hoje quase 12 milhões de desempregados, sendo 5,9% deles com Superior completo. Ou seja, uma realidade bem diferente de menos de 6 anos atrás em que o país vivia o “pleno emprego”, assim como o “apagão de gente”, ou seja, dificuldade para encontrar pessoas qualificadas disponíveis no mercado, assim como reter os talentos para evitar a evasão destes profissionais para outras empresas.

 

 Apesar da mudança de cenário e com mais pessoas disponíveis no mercado, as companhias continuam com dificuldade para encontrar candidatos com as competências necessárias para assumir posições estratégicas nas corporações. Essa é uma das conclusões do relatório global da Hays sobre o mercado de trabalho.

 Diante disso, percebemos que a necessidade de desenvolver competências é algo que permeia o tempo e continua sendo uma questão importante a ser trabalhada, seja para o fechamento de uma vaga ou para os colaboradores de uma empresa que almejam crescer em sua carreira.

 É interessante pensar que a partir deste dilema de construir uma competência, o caminho mais natural é pensar em treinamentos, MBA’s, buscar um coach ou um mentor. Todas essas ações são importantes e fazem parte de uma trajetória de sucesso. No entanto, há um outro recurso muito óbvio e subutilizado: o próprio trabalho!

 Este fato fica claro quando analisamos as duas pirâmides abaixo. À esquerda o que normalmente as pessoas fazem quando planejam seu desenvolvimento, e à direita o que as pessoas deveriam fazer ao planejar seu desenvolvimento. Esses dados são da renomada instituição americana, CCL – Center for Creative Leadership.

 

piramide artigo marcia.png

 

Fonte: Center for Creative Leadership

 

 De acordo com o primeiro diagrama, 70% das indicações/sugestões de desenvolvimento estão ligadas à educação formal, como treinamentos e seminários e somente 10% estão relacionadas a soluções on-the-job, ou seja, utilizar o ambiente e demandas de trabalho para desenvolver competências. Isto deveria ser invertido, conforme o diagrama da direita. Na verdade, o nosso ambiente de trabalho é propício e abundante em desafios que são valiosas oportunidades para ampliar nosso repertório de competências.

Este recurso precisa e deve ser divulgado pelo RH e incentivado pelo gestor. A consequência direta desse movimento é a ênfase no autodesenvolvimento, em tornar o colaborador protagonista do seu desenvolvimento.

Porém, por ser algo pouco usual, as pessoas podem apresentar dificuldade em enxergar o que pode ser feito no dia-a-dia. Uma preciosa ajuda neste sentido é a construção de um Guia de Desenvolvimento de Competência, o qual tem se mostrado eficaz como um primeiro passo para incentivar a utilização de soluções on-the-job.

 Esse guia é elaborado a partir do modelo de competências da empresa e deve seguir uma linha simples e prática, com indicações de comportamento sobre o que fazer de maneira direta para, por exemplo, fortalecer a competência Foco no Cliente:

 “Faça reuniões periódicas com clientes externos e internos para colher novas ideias que possam aumentar os resultados e índices de satisfação com clientes.”

 Algumas competências são essenciais nos modelos das organizações, são elas: Trabalho em equipe e Liderança, então, o que se pode fazer para desenvolver essas competências? Seguem abaixo alguns exemplos:

 

 “Crie oportunidade para interagir com as outras áreas e proponha decisão compartilhada, quando um projeto envolver essas áreas.”

 

 “Delegue tarefas de acordo com a análise de competências de cada colaborador, propicie desafios, mas esteja atento aos limites de cada um – é seu papel desenvolver pessoas.”

 

 “Dê feedbacks claros, respeitosos e construtivos, incluindo recomendações de melhoria, nos casos de baixa performance. Não permita que pequenos erros e falhas cresçam por falta de orientação na hora em que acontecem.”

 

 Além dessas indicações é importante oferecer algumas opções de leitura e de filmes, pois podem e devem ser usados como uma fonte de aprendizagem.

 Livros são recursos mais óbvios e são poderosos agentes de mudança, especialmente se o livro aliar teoria à prática, como aqueles que trazem roteiros estruturados sobre o que fazer e como fazer.

 Um bom exemplo disso é o livro  “The Sucessful Handbook’s Manager” que apresenta sugestões de desenvolvimento de competências comum a líderes de empresas globais.

 

 Os filmes também são métodos úteis e divertidos para apoiar na aprendizagem de novos comportamentos. Recorrer a uma solução mais lúdica pode ser muito efetivo no processo de desenvolvimento.

  “Virando o Jogo”, protagonizado por Keanu Reeves e Gene Hackman é uma dica excelente para desenvolver competências como Liderança e Coaching.

 O Guia, assim como o modelo de competências da empresa, deve representar a singularidade da companhia, contemplar seus jargões e ter  a “cara” da empresa.

 

 Minha experiência tem mostrado que essa iniciativa é muito bem vista profissionais, por ser uma alternativa simples de começar e com resultados imediatos. Experimente e me procure!   

 

Marcia Batista

People & Culture Manager

|

Contate-nos

Colunistas